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[Resenha] @mor - Daniel Glattauer

Livro: @mor
Autor: Daniel Glatteur
Editora: Suma de Letras
Número de páginas: 184
Classificação: 5/5

Minha Opinião:

Em um e-mail enviado por engano, para cancelar a assinatura de uma revista, Emmi Rothner conhece Leo Leike. Assim tem início um relacionamento virtual intenso, que irá despertar as mais diversas emoções e reações em ambos.
" Leo, penso o tempo todo em você. Você ocupa alguns milímetros quadrados do meu cérebro (ou do meu cerebelo, da minha hipófise, não faço ideia de onde seja quando se pensa em alguém como você.) Você de fato acampou sua tenda lá. Eu não sei se você é como aquele que escreve. Mas se você for apenas uma parte daquele que escreve, então você já é alguém muito especial." (pág.86)
 Este livro foi uma grata surpresa. Comecei a ler de madrugada, e não conseguia mais largar. É viciante!!
 A história toda se desenrola através de e-mails trocados por Leo e Emmi, sem que ambos saibam como o outro é fisicamente. Emmi possui um casamento estável, e Leo acabou de sair de um relacionamento conturbado, porém, isso não impede que eles queiram levar o relacionamento virtual para "algo a mais". Só que marcar um encontro pode acabar com a expectativa que ambos possuem. O leitor acaba criando a mesma expectativa, imaginando como eles seriam e o que aconteceria nesse encontro.

O genial é que o autor consegue construir os e-mails sem usar o famoso "Internetês", nos poupando da linguagem virtual onde a maioria das palavras são abreviadas. O autor abusa da criatividade e de muita inteligência para montar as mensagens.
Os e-mails são recheados de sarcasmo (especialmente os da Emmi), humor e desabafos. Muitos deles contém apenas uma frase, de maneira que tudo fica subentendido, enquanto outros possuem linhas e mais linhas que revelam a personalidade dos personagens, bem como alguns detalhes de suas vidas.
" Não, Emmi, você não é uma qualquer. Se alguém não é uma qualquer, esse alguém é você. E não o é de forma alguma para mim. Para mim, você é como uma segunda voz dentro de mim, que me acompanha durante o dia a dia. Você fez do meu monólogo interior um diálogo. Você enriquece minha vida interior. (...)
Emmi, eu simplesmente tenho medo de perder a minha "segunda voz". Eu quero mantê-la. Quero lidar cuidadosamente com ela. Ela se tornou imprescindível pra mim." (pág. 68 e 69)
Apesar de Emmi ser casada, Glattauer não aborda a traição de uma forma vulgar. Até porque nem sei se classificaria a dependência em se corresponder com o Leo como traição, pois em todo o momento ela faz questão de frisar que tem um casamento feliz, mesmo que não entre em detalhes sobre sua vida conjugal. O grande X da questão é imaginar se eles estariam dizendo realmente toda a verdade.
O jeito como Leo escreve quando está bêbado rendem boas risadas. Ele consegue ser ao mesmo tempo doce, rude e pragmático. Creio que ele tenha sido bem mais "transparente" em relação aos seus sentimentos, do que a Emmi.

Cada segundo que antecedia a resposta de um e-mail, fazia meu coração bater mais forte, como se eu tivesse que pensar em uma resposta. Foi aflitivo, mas de um jeito maravilhoso.
Em nenhum momento a leitura se torna cansativa. Cada e-mail é extremamente necessário para a construção da história. O jeito como o livro termina é de querer pular no pescoço do autor. O bom é saber que a suma irá lançar ainda este ano o segundo, e último livro. Vou roer as minhas unhas até lá.
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