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[Resenha] Ladrão de olhos - Jonathan Auxier

Livro: Ladrão de olhos - As aventuras de Peter Nimble
Autor: Jonathan Auxier
Editora: LeYa
Número de páginas: 424
Classificação: 5/5


Minha Opinião:

Peter Nimble foi deixado ainda bebê em um cestinho no mar. Entregue à própria sorte, o início de sua vida não começou nada bem. Corvos bicaram seus olhos, deixando-o cego. Após ele teve que driblar todos os obstáculos para sobreviver sozinho, até ser achado pelo cruel Sr. Seamus.

O aproveitador Sr. Seamus, obrigava o pequeno Peter a roubar todo tipo de coisa dos moradores da cidade, e a noite ainda o mantinha preso em um porão.
Porém, a vida de Peter estava prestes a tomar um rumo diferente, com o roubo de uma caixa contendo olhos mágicos. Com o primeiro par de olhos nas mãos, ele irá viver muitas aventuras em busca de um reino desaparecido.
" E assim era a vida de Peter Nimble. Era infeliz, maltratado e forçado a cometer delitos - dia após dia, uma estação depois da outra, ano após ano -, até que, numa tarde chuvosa e muito especial, ele conheceu um estranho que mudaria sua vida para sempre." (pág. 16)
Recheado de ação, aventura e uma história comovente sobre um menino órfão e cego, que parte em busca de um reino desconhecido, Ladrão de Olhos me conquistou com sua narrativa simples e seus personagens únicos.
Narrado em terceira pessoa, em diversas passagens o narrador fala diretamente com o leitor, o que nos transporta diretamente para o livro, como se fizéssemos parte do enigma.

O sofrimento de Peter fez meus olhos ficarem marejados várias vezes durante a leitura. O tratamento recebido pelo Sr. Seamus, e as intempéries que era obrigado a enfrentar, permanecendo na rua até encontrar algo de valor para o malvado homem, ao invés de endurecerem o nobre coração do nosso protagonista, obteve um efeito contrário.
Treinado para roubar, a falta de visão não era um sério problema para ele. Suas agéis mãozinhas davam conta dos mais difíceis tipos de cadeados, e essa era a sua especialidade.
Ao encontrar a caixa com os olhos mágicos é quando a verdadeira aventura tem início. Cada par de olhos mágicos possue um poder diferente, e Peter só os descobre quando experimenta.

Todos os personagens possuem uma peculiaridade que os tornam especiais. A começar por Peter e também por seu amigo de missão, o cavaleiro Sir Tode, que é uma estranha combinação de cavalo e gato.
Apesar da falta de visão, todos os outros sentidos de Peter são extremamente aguçados, e isto auxilia bastante em sua jornada.
Encontramos corvos, pássaros e besouros que falam, monstros assustadores, ladrões dos piores tipos e uma prisão em pleno deserto. Tudo beira ao surreal, de modo que Jonathan te faz acreditar em tudo que está lendo.

A quantidade de páginas não foi um problema para mim, já que uma vez mergulhada na história de Peter, eu não conseguia deixar o livro de lado.
Todo o suspense para saber se Peter completaria o seu objetivo, e qual era o seu papel em tudo isso, me deixou ansiosa para chegar logo ao final. O desfecho não poderia ser mais emocionante (confesso que chorei). 
Não posso deixar de comentar o belo trabalho da capa, e a diagramação diferenciada das páginas acinzentadas. Cada início de capítulo trazia uma figura do que estaria por vir a seguir.
Recomendo para todas as idades, é impossível não se comover e admirar a determinação de Peter e seu companheiro Sir Tode.

[Nova parceria] Editora LeYa e Lua de Papel

Estou muito feliz em anunciar mais uma parceria, dessa vez com a Editora LeYa e o selo Lua de Papel \o/
Vamos conhecer um pouco mais sobre a Editora e seus lançamentos:



A LeYa nasceu em Janeiro de 2008 como empresa holding na qual se integram algumas das mais prestigiadas editoras portuguesas e duas das mais bem sucedidas editoras africanas.
Líder do mercado editorial português, angolano e moçambicano, a LeYa está, desde Setembro de 2009, a editar também no Brasil. Neste e nos outros mercados onde trabalha, a LeYa apresenta-se com objectivos concretos de vir a ser protagonista, nomeadamente pelo papel que desempenha no mundo de língua portuguesa.
A força das marcas que integram a LeYa e a qualidade do que produzem, aliadas aos objectivos ambiciosos e à dinâmica de grupo, fazem da LeYa uma empresa forte e coesa nos seus objectivos gerais e diversa nos seus programas editoriais.
Através da integração de editoras e de profissionais profundamente enraizados nos respectivos mercados, a LeYa adquiriu o privilégio de poder contar com um capital humano extraordinário e com um sólido e diversificado know-how no meio editorial. A LeYa tem hoje mais de 500 colaboradores, entre os quais se encontram alguns dos melhores e mais conceituados editores do universo de língua portuguesa, mas também profissionais muito experimentados em outras áreas fundamentais como a produção, a distribuição e a promoção do nosso principal produto, os livros.
 Lançamentos:


Amigas da ioga é um romance sobre desafios e conquistas  de cinco mulheres absolutamente diferentes, mas que aceitam reaprender com suas novas experiências e constroem, pouco a pouco, um novo horizonte para suas vidas.  Aqui estão cinco amigas incríveis que você jamais esquecerá. É na ioga que as preocupações diárias são deixadas de lado, os colchonetes são abertos e o esforço físico promove bem-estar, renovação e cumplicidade.
Enquanto, em Los Angeles, os professores de ioga se tornaram verdadeiras celebridades, algumas alunas ainda preferem o discreto estúdio Endedale Yoga, no afastado bairro de Silver Lake. É lá que Lee usa suas habilidades extraordinárias e sua empatia incomum para ajudar seus alunos a tomarem consciência de seus corpos, o que produz efeitos em suas vidas.
Katherine, a massagista do estúdio, está se esforçando para  não sabotar o que pode vir a ser um relacionamento perfeito. Graciela, uma excelente dançarina, precisa vencer uma séria lesão para conquistar o trabalho que será sua grande chance. Imani, uma atriz bem casada e bem-sucedida, luta para superar a grande perda de sua vida.
Stephanie, talentosa autora e produtora, tenta evitar que uma crise possa pôr o esforço dos últimos anos a perder.
Mas será que as alunas de Lee aprenderam o suficiente com a professora, que tem de enfrentar problemas fi nanceiros e sua própria crise conjugal?


Um belo e misterioso jovem que costuma uivar pelas noites sem fim, se apresenta como MeninoLobo. Uma garota corajosa e adorável louca por aventuras, insiste que a chamem de MeninaSelvagem. Com apenas um olhar, os dois se descobrem e se unem. Mas esta não é uma noite qualquer e, no subúrbio de Timidez, MeninaSelvagem escolheu MeninoLobo como seu guia nessa noite que pode não ter fim.
Lutando contra a escuridão, a dor e a solidão da alma, ambos saem por este perigoso lugar, onde deparam com crianças viciadas em açúcar, piratas, ciganos e um médico bastante perigoso… Mas serão eles capazes de encontrar um ao outro na escuridão?
Um mundo chamado Timidez lhe dá boas-vindas, em uma fantasia urbana que explora a noite, seja ela externa ou interna. E onde é mais fácil achar que a vida é só um sonho, que monstros não existem, que não há nada do outro lado da rua. Mas nesta penumbra completa é possível encontrar um sentido de liberdade, compreensão e aceitação e, quem sabe, um verdadeiro amor?
Será que todos se encontrarão nesta noite?

 Considerado um clássico moderno desde sua publicação em 1996, o livro Clube da luta consagrou Chuck Palahniuk como um dos mais importantes e criativos autores contemporâneos, além do próprio livro como um  cânone da cultura pop. O livro que estava esgotado há anos volta às livrarias nessa caprichada edição. O clube da luta é idealizado por Tyler, que acha que encontrou uma maneira de viver fora dos limites da sociedade e das regras sem sentido. Mas o que está por vir de sua mente pode piorar muito daqui para a frente.
O livro foi filmado em 1999, pelo vencedor do Oscar de melhor diretor, David Fincher (Os Homens Que Não Amavam as Mulheres, A Rede Social), que conseguiu adaptar toda atmosfera do livro, o mundo caótico da personagem e o humor negro de Palahniuk em uma trama recebida com inúmeros elogios pela crítica e pelo público que conta com os atores Brad Pitt, Edward Norton e Helena Bonham Carter.

Espero que tenham gostado da novidade!!!
Beijos

[Resenha] Sangue quente - Issac Marion

Livro: Sangue quente
Autor: Isaac Marion
Editora: Leya
Número de páginas: 252
Classificação: 5/5 (favorito)

Sinopse: R é um jovem vivendo uma crise existencial - ele é um zumbi. Perambula por uma América destruída pela guerra, colapso social e a fome voraz de seus companheiros mortos-vivos, mas ele busca mais do que sangue e cérebros. Ele consegue pronunciar apenas algumas sílabas, mas ele é profundo, cheio de pensamentos e saudade. Não tem recordações, nem identidade, nem pulso, mas ele tem sonhos. Após vivenciar as memórias de um adolescente enquanto devorava seu cérebro, R faz uma escolha inesperada, que começa com uma relação tensa, desajeitada e estranhamente doce com a namorada de sua vítima. Julie é uma explosão de cores na paisagem triste e cinzenta que envolve a "vida" de R e sua decisão de protegê-la irá transformar não só ele, mas também seus companheiros mortos-vivos, e talvez o mundo inteiro. Assustador, engraçado e surpreendentemente comovente, Sangue Quente fala sobre estar vivo, estando morto, e a tênue linha que os separa.

Minha opinião:
Meu primeiro contato com o mundo dos zumbis, foi no filme Noite dos mortos-vivos.Logo após eu descobri o jogo Residente Evil (meu preferido) e nunca mais deixei o mundo dos mortos-vivos. Nunca tive medo dos zumbis, e da infância até hoje a simpatia por eles só aumentou. Daí o leitor se pergunta: é possível gostar dessas criaturas feias e sem vida? Yes meu povo, se você não era simpatizante da causa dos loucos por cééérebrooo, Isaac Marion fará você se apaixonar por eles!

"Estou morto, mas isso não é tão ruim. Aprendi a conviver com isso. Desculpe não me apresentar da forma correta, mas não tenho mais um nome. Dificilmente algum de nós tem um. Nós os perdemos como perdemos chave de carro, os esquecemos como esquecemos de alguns aniversários. O meu talvez começasse com R, mas isso é tudo que eu sei. Engraçado porque quando eu era vivo, sempre me esquecia do nome das outras pessoas. Meu amigo M diz que a ironia de ser um zumbi é que tudo é engraçado, mas você não consegue rir, pois seus lábios apodreceram." (pág. 13)

O livro é narrado em primeira pessoa por R, um zumbi triste e solitário que vive no aeroporto abandonado. R e seu amigo M, são diferentes da maioria dos zumbis que os cercam: eles conseguem se comunicar atráves de poucas palavras. R tenta se lembrar do seu passado, de como se tornou um zumbi, ou quem foi antes que a grande praga atingisse a América, mas não lhe restam muitas memórias.
R ainda está em estágio inicial de decomposição. O interessante é que o autor criou uma "hierarquia" para os zumbis: os anciãos, chamados de ossudos (que só tem praticamente esqueleto e alguns vestígios de carne) mandam no pedaço, e os carnudos (assim como R) além de saírem para se alimentar, trazem alguns restos para os ossudos, as crianças e aqueles zumbis que não podem sair para procurar comida. Tem até casamento e sexo entre eles (nem queira imaginar como a coisa é feita...rs)

R, seu amigo M e outros zumbis, saem em busca de comida (isso mesmo que você está pensando: céérebro). Eles não sabem porque sentem necessidade de se alimentar de pessoas (Vivos como eles chamam), apenas o fazem por ser de sua natureza. Quando eles se alimentam do cérebro, revivem alguns flashes de memórias da vida de sua vítima.

" Quando o mundo inteiro é construído com horror e morte, quando a existência é um estado constante de pânico, é difícil ficar preocupado com uma coisa só. Os medos específicos se tornaram irrelevantes. Nós os substituímos por um cobertor sufocante muito pior." (pág.48)

Em uma de suas incursões a cidade para se alimentar, R ataca um garoto adolescente e assim que come o seu cérebro, começa a reviver todas as memórias dele. Não apenas quem ele foi, mas cada momento de sua vida desde a infância, e percebe que a menina que ele estava protegendo antes de ser atacado, era sua namorada Julie. Tomado de um instinto protetor pela vida da garota, R impede que os outros zumbis famintos se aproximem dela, e a leva para o aeroporto, para o avião que ele usa como casa.
Chegando no aeroporto Julie se indaga como R pode saber seu nome, e o porquê dele ser tão diferente dos outros zumbis.

"Quero fazer algo impossível. Algo surpreendente e nunca visto antes. Quero tirar a poeira da Nave Espacial e levar Julie para a Lua, colonizar o lugar, ou navegar em um navio afundado até uma ilha distante onde ninguém reclamaria da gente, ou então apenas aproveitar a magia que me leva para dentro do cérebro dos Vivos e trazer Julie para o meu, porque é acolhedor aqui, é silencioso e adorável, e aqui dentro não somos uma justaposição absurda, somos apenas perfeitos." (pág. 81)

R guarda um pedacinho do cérebro de Perry, para tentar ter acesso as suas memórias mais algumas vezes, e assim os pensamentos dele e de Perry se fundem.
Julie precisa voltar ao estádio, onde os Vivos vivem e se isolam do restante do mundo. Mas R está determinado a segui-la e mantê-la protegida custe o que custar. 

O livro é surpreendente, o romance não soa meloso em nenhum momento e a trama é recheada de ação e doses de terror na medida certa. Apesar de ser uma combinação improvável, o envolvimento de Julie com R é gradual e convincente. Mas não espere declarações de amor e doses açucaradas de romantismo, o relacionamento dos dois é baseado em gestos e atitudes, e é impossível não se apaixonar por R, ou admirar o seu esforço em mudar e se tornar mais "humano".
Julie é uma mocinha atípica: fala palavrão, é destemida, decidida e impulsiva. R é sensível, introspectivo e apaixonado por Frank Sinatra, e se não fosse o corpo cinzento em decomposição e seus "hábitos" alimentares, ninguém diria que ele é um zumbi.

Em algumas partes eu senti falta de esclarecimento, como o surgimento da praga e como os zumbis foram infectados, mas essa parte achei que Isaac quis deixar por conta da imaginação do leitor.
Quer se apaixonar por um zumbi? leia Sangue Quente e desfrute de um enredo inédito e inovador.
O filme foi adaptado para o cinema pela Summit com Nicholas Hoult no papel de R, e Teresa Palmer como Julie, e chega em agosto desse ano nos EUA (aqui sem previsão). O pôster principal causou a maior polêmica, por ser comparado ao filme produzido pelo mesmo estúdio: Crepúsculo. Eu gostei da escolha dos atores e estou ansiosa para conferir meu R nas telonas.

 

Não é bonitinho gente?



Nicholas sem a maquiagem, cute *_*
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