Autora: Gillian Flynn
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 433
Classificação: 4,5/5 (favorito)
Minha Opinião:
"Eu sou um grande fã de mentira por omissão"
"Os noticiários mostrariam Nick Dunne, marido da mulher desaparecida, de pé metalicamente junto ao sogro, braços cruzados, olhos vidrados, parecendo quase entediado, enquanto os pais de Amy choravam. E então, ainda pior. Minha antiga reação, a necessidade de lembrar às pessoas que eu não era um babaca, que era um cara legal apesar do olhar frio, do rosto de babaca pretensioso. Então lá veio ele, do nada, enquanto Rand implorava pela volta da filha: um sorriso assassino."
Nick Dunne deveria estar comemorando o quinto ano de seu casamento, se não fosse o desaparecimento de sua esposa Amy. Ao encontrar a casa toda revirada, Nick pensa que a esposa foi vítima de um sequestro, e logo entra em contato com a polícia. Aparentemente calmo, e procurando colaborar com a investigação, Nick passa de esposo preocupado a principal suspeito de um provável assassinato.
Tudo complica quando a polícia encontra um diário de Amy, e nele é relatada uma história completamente diferente da qual Nick conta. De quem seria a versão correta? Onde Amy está? Por que Nick demonstra tanta frieza com o sumiço de sua esposa? É o que o leitor irá descobrir neste impressionante thriller de tirar o fôlego.
Garota Exemplar estreiou em sexto lugar na lista de livros mais vendidos no Brasil, e já vendeu 4 milhões de exemplares pelo mundo, ficando atrás apenas da trilogia Cinquenta tons de cinza. O best-seller tem provocado um verdadeiro alvoroço, e o bom é que a história faz jus a tantos comentários.
Eu praticamente li o livro no escuro, pois não sabia quase nada a respeito do enredo, apenas que o marido era o principal suspeito no sumiço da mulher, e foi bem melhor assim. Me surpreendi, e passei dois dias em claro, pensando em como o ser humano pode ser tão complexo e esconder seus reais sentimentos de um modo assustador.
O livro é narrado em primeira pessoa, intercalando os pontos de vista de Nick e Amy. A narrativa de Gillian é brilhante e ardilosa. O leitor permanece a leitura inteira se perguntando quem seria o vilão, e quem seria o mocinho. A dubiedade de sentimentos em torno do caráter dos personagens é o maior ponto positivo da obra. Ao mesmo tempo em que eu amava Nick, eu o odiava. O mesmo acontecia com Amy.
A história é dividida em três partes, e aí que esta a grande sacada da autora: no final de cada parte, a história atinge seu clímax, com uma reviravolta de aplaudir de pé.
Nick e Amy são as personagens mais verossímeis com os quais me deparei em todos os meus anos de leitura. A impressão que eu tinha é que eles sairiam das páginas, e iriam bater à minha porta para tomar um cafézinho.
Por ser uma escritora de testes de personalidade para revistas, Amy se referia muito ao comportamento de Nick através de testes feitos por ela mesma, o que tornava sua narrativa muito interessante e peculiar. Ela revelava um comportamento bastante presunçoso, e ao mesmo tempo humilde, deixando o leitor em suas mãos. Contraditório não? Contradição seria o subtítulo de Garota Exemplar.
A minha reação ao ler as partes onde Nick narrava foi mais ou menos assim: ele é um bom marido; ele é um péssimo marido; se eu fosse esposa dele o enforcaria; mas ele tem um charme e parece querer ser um bom marido. Eu não sabia se torcia por ele, ou se ficava contra ele, ou se o abraçava e levava pra casa.
Margô, a irmã gêmea de Nick, foi a única personagem da qual gostei o tempo todo. Suas tiradas de humor, e a preocupação que demonstrava com o irmão, tornaram-na a personagem mais humana - se não a única -, da livro.
Flynn abusa do humor negro e sarcástico, que transformam Garota Exemplar em um livro atual e genial.
O desfecho foi inimaginável. A loucura é ter odiado o final que a autora deu aos personagens, e mesmo assim pensar que aquele final seria o mais coerente. Impossível prever o que aconteceria com o passar das páginas, e a imprevisibilidade tornou a obra a minha favorita do gênero. O curioso é que este é o tipo de livro que você não vai conseguir guardar a história para si. Você vai querer discutir, e contar o enredo para alguém próximo, desejando obter outro ponto de vista sobre tudo. Assim que terminei a leitura relatei tudo para meu esposo, me questionando o quanto realmente o conheço. É assustador imaginar que aquele com quem dividimos o dia a dia, e está sempre ao nosso lado, pode possuir sentimentos e pensamentos obscuros sobre nós. O casamento pode aproximar e fazer com que o cônjuge se abra inteiramente com o outro, por outro lado, ele também pode trazer à tona nossa pior lado, aquele em que ocultamos pequenas coisas que com o tempo viram uma grande bola de neve de mentiras, impossível de conter.













