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[Resenha] Como eu era antes de você - Jojo Moyes

Livro: Como eu era antes de você
Autora: Jojo Moyes
Editora: Intrinseca
Número de páginas: 318
Classificação: 5/5 (favorito)

Minha Opinião:
"Ninguém quer ouvir você falar que está com medo, ou com dor, ou apavorado com a possibilidade de morrer por causa de alguma infecção aleatória e estúpida. Ninguém quer ouvir sobre como é saber que você nunca mais fará sexo, nunca mais comerá algo que você mesmo preparou, nunca vai segurar seu próprio filho nos braços. Ninguém quer saber que às vezes me sinto tão claustrofóbico estando nesta cadeira que tenho vontade de gritar feito louco só de pensar em passar mais um dia assim."
Moyes foi correspondende do The Independent por dez anos. Como eu era antes de você é seu segundo livro lançado no Brasil, sendo o primeiro o romance A última carta de amor, também publicado pela Editora Íntrinseca.
Eu já havia lido A última carta de amor, e me apaixonado instantaneamente pela escrita impecável, e o modo como os sentimentos transbordavam através das páginas, e sabia que me emocionaria ao ler este novo livro, e não foi diferente.

Lou Clark tem 26 anos, e ainda não decidiu o que quer fazer com a sua vida. Seu namoro com Patrick, a cidadezinha onde mora, e o trabalho na cafeteria lhe bastam, e não consegue enxerga nenhum motivo para ampliar seus horizontes, isso até perder o emprego e começar a trabalhar como cuidadora de um tetraplégico, para continuar ajudando no sustento de sua casa.
Will é o oposto de Lou. Antes do acidente que o deixou preso a uma cadeira de rodas, ele era um jovem bem sucedido, com um espírito aventureiro, uma namorada linda e toda uma vida pela frente. Porém, após o acidente ele não consegue aceitar levar a vida que leva, e pretende dar um fim em tudo.
Lou terá apenas 6 meses para demovê-lo dessa ideia, e ambos irão aprender um com o outro mais do que imaginavam.

Jojo é mestre em expor os sentimentos de seus personagens de modo tão visceral, que fico em dúvida se o livro é pura obra ficcional, ou uma história que realmente poderia ter acontecido com qualquer um.
Sua narrativa em primeira pessoa, é envolvente e nos fisga logo nas primeira página.
Will é completamente arrogante e distante nos primeiros dias em que Lou trabalha em sua casa, mas aos poucos a sua "casca" e armaduras são deixadas de lado, e ele começa a se revelar vulnerável. É como se ele estivesse se fechando em seu próprio casulo para evitar qualquer tipo de sofrimento.
Lou é um doce de garota. Apesar de não possuir grandes ambições para o futuro, e se contentar com pouco, ela consegue enxergar o Will além da cadeira de rodas. Juntos eles formam um encaixe perfeito.

O romance não é daqueles de fazer suspirar, mas sim de nos mostrar que o amor pode nascer na mais improvável das situações, mesmo que todas as circunstâncias sejam contrárias.
Conforme ia chegando o prazo final de Lou, foi angustiante imaginar mil desfechos diferentes. Me irritei com Will, quis gritar que ele era um egoísta, e que ele não poderia tomar essa decisão de acabar com a própria vida. Ao mesmo tempo em que eu tentava entendê-lo, tentando me colocar em seu lugar, e imaginando o que eu faria se de uma hora para outra eu me visse presa em uma cadeira, sem poder realizar as atividades de antes, e precisar depender eternamente de outras pessoas.

O livro todo é uma extrema lição de vida. De como não devemos deixar a nossa vida para depois, e nos permitir viver o agora, buscando realizar o máximo de nossos objetivos e galgando sempre um futuro melhor. Também existe a parte polêmica da eutanásia, mas se permita ler sem preconceitos.
Prepare o seu lencinho e tente não chorar lendo as últimas páginas. Garanto que será uma tarefa extremamente dificil, já que Moyes vai contra todas as expectativas, e nos dá muitos motivos para pensar.

[Resenha] A última carta de amor - Jojo Moyes

Livro: A última carta de amor
Autora: Jojo Moyes
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 378
Classificação: 4/5

Minha opinião:

Jojo Moyes estudou jornalismo e foi correspondente do jornal The Independent por dez anos. Publicou seu primeiro livro em 2002, e desde então dedica-se integralmente à carreira de escritora.

Após um acidente de carro, Jennifer Stirling perde a memória e não consegue de lembrar de que é casada. Sua mãe e o próprio marido, se recusam a responder as perguntas sobre o acidente.
Resignada a conviver com um homem que lhe parece "estranho", Jennifer volta para sua casa, tentando recuperar a memória ou fragmentos da vida que possuía antes do acidente.
Procurando resgatar algum vestígio da "antiga" Jennifer, decide então arrumar seu armário e acaba encontrando algumas cartas de amor endereçadas a ela, assinada apenas por "B". Ao ler as cartas, percebe que antes do acidente estava vivendo um relacionamento fora do casamento, e parecia disposta a largar tudo pelo amante.

43 anos após, a jornalista Ellie Haworth encontra no arquivo do jornal onde trabalha, uma carta endereçada a Jennifer. Comovida com a carta de amor escrita por "B" , torna-se então obcecada em descobrir quem seriam os protagonistas da história, e imagina se a mesma teve um final feliz.
" Quando você me olhava com aqueles olhos ilimitados, deliquescentes, eu me perguntava o que você podia ver em mim. Agora sei que isso é uma visão tola do amor. Você e eu não podíamos deixar de nos amar, assim como a Terra não pode parar de girar em torno do sol" (pág. 128)

Quando vi que este livro seria lançado fiquei toda animada com a capa, mas não tanto com a sinopse. Explico: não curto ler histórias com adultério. Sou casada e não consigo imaginar como um romance fora do casamento pode ser feliz. Mesmo que tenha felicidade entre os amantes, fico pensando na infelicidade do traído. Mas o livro é muito mais do que isso. Intenso seria a palavra certa para o descrever. Deixei de lado meus conceitos e me entreguei a história muito bem montada por Jojo Moyes.
No começo, temos o foco na vida de Ellie, uma jornalista prestes a completar 32 anos que vive um relacionamento com um homem casado. Ela sempre colocou a carreira antes do plano: marido-filhos e o caso com John parece satisfazê-la. Mas quando encontra aquela que seria a última carta de amor de um homem para a sua amante, Ellie começa a questionar sua vida sentimental. Será que John a ama? Ele largaria sua esposa por ela? Qual seria o futuro para o relacionamento deles?

Após, voltamos quase 50 anos no tempo e conhecemos a história de Jennifer. O capítulo nem sempre começa situando em que ano estamos, porém, é possível compreender perfeitamente qual época está sendo abordada. O livro é dividido em três partes, e na última parte é quando a vida das duas mulheres se cruzam.
Jojo conduz magistralmente esse romance de amor pelos tempos, conectando uma história a outra, de forma que a todo tempo faz o leitor imaginar um final, para logo depois surpreendê-lo com uma reviravolta.
Ao mesclar ficção com realidade - como a crise do Congo, o machismo dos anos 60 e a abominação com a qual o divórcio era visto - Moyes traça um cenário perfeitamente agradável, onde ficamos presos nas garras desse incrível e grandioso romance.

Todos os personagens possuem uma personalidade bem delineada. Particulamente, me afeiçoei a Yvonne, amiga de Jennifer, que era muito leal e direta e não hesitava em dar conselhos sinceros.
Algumas atitudes de Jennifer me irritaram bastante, e por isso não classifiquei o livro com 5 estrelas. A personagem me pareceu um jovem completamente perdida, que precisou casar com o rico empresário para manter um padrão de vida que seus pais consideravam "adequado". Não posso entrar em detalhes para não entregar a história, mas senti que ela foi fria e cruel em várias vezes com os sentimentos do amante e do marido. Seu envolvimento com o amante me pareceu instantâneo, mas em se tratando de uma mulher casada, a rapidez com a qual o amor deles evoluiu se tornou justificável. As cartas que ele escreve são apaixonantes, esfuziantes e repletas de um sentimentalismo que raramente vemos os homens expondo.

Ellie foi a personagem que eu mais me identifiquei durante a leitura, e também a que mais amadureceu ao longo da história. Ela tenta salvar sua carreira e conseguir uma boa matéria para não perder o emprego, e vive tentando decifrar as mensagens que seu amante envia, procurando algum significado por trás das palavras abreviadas. Foi interessante observar o contraste das duas épocas: onde em 1960 existia o romantismo das cartas e o uso de palavras mais rebuscadas para expressar o sentimento do amante; e em 2003 os simples torpedos com mensagens curtas e sem qualquer emoção, enviados a Ellie.
Mesmo sendo narrado em terceira pessoa, o livro consegue transmitir muita emoção. Os encontros e desencontros dos personagens fizeram meu coração bater mais forte.

No início de cada capítulo há um trecho de uma última carta, torpedo ou e-mail verídicos, que destaca o modo repentino e brusco com o qual as pessoas terminam seus relacionamentos hoje em dia. O desfecho foi totalmente inimaginável , e embora não tenha chorado, me arrepiei inteira conforme a história encaminhava-se para o seu final.
A última carta de amor foi um romance intrigante e inquietante, que me deixou acordada madrugada adentro para saber o que aconteceria com os "amantes desafortunados". Totalmente recomendado.
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