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[Resenha] O lado bom da vida - Matthew Quick

Livro: O lado bom da vida
Autor: Matthew Quick
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 254

Classificação: 4,5/5


Minha Opinião:
" Se as nuvens estão bloqueando o sol, sempre tento ver aquela luz por trás delas, o lado bom das coisas, e me lembro de continuar tentando, porque eu sei que, embora as coisas possam parecer sombrias agora, minha esposa logo voltará para mim." (pág.20)
E se a vida fosse um tipo de filme que sempre acaba com um final feliz, não importa por quantas situações ruins tenhamos que enfrentar ao longo dela? É nisso que Pat Peoples acredita. Após ter vivido em um hospital psiquiátrico, por motivo e tempo que ele desconhece, Pat está de volta a casa de sua mãe. Ele permanece com a sua obsessão por exercícios físicos, adquirida no tempo em que viveu no "lugar ruim", e tudo o que deseja é se tornar uma pessoa melhor e ter de volta sua esposa Nikki.
 Em casa a relação com o pai é delicada. Patrick praticamente não dirige a palavra ao filho, a menos que esteja passando o jogo do Eagles (time de beisebol para o qual eles torcem).
Em um jantar na casa do amigo Ronnie, ele é apresentando a Tiffany, uma jovem que também passou por um trauma muito grande e encontra em Pat o candidato perfeito para realizar uma coreografia montada por ela, em um concurso de dança.

Difícil descrever os meus sentimentos após ler O lado bom da vida. Os capítulos curtos e o mistério envolvendo a internação de Pat, foram os combustíveis que me mantiveram acordada a madrugada inteira para saber o desfecho.
O romance de Matthew nos apresenta um personagem atípico, que além de lutar para recobrar sua sanidade mental, possui uma esperança motivadora. O lado peculiar de Pat começa a ser revelado a partir do seu maior medo: ele é constantemente assombrado pelo cantor Kenny G, e não suporta ouvir suas canções, especialmente Songbird.
O relacionamento de Pat e Tiffany é algo tão inusitado, que a princípio eu achei cômico. Mentalmente instáveis, cada um encontra uma forma de extravasar os sentimentos reprimidos: ela utiliza a dança, e ele a malhação. As cenas em que Tiffany ataca de stalker e resolve seguir um Pat vestido com um enorme saco de lixo preto durante suas corridas matinais, conferem o toque certo de humor. As sessões de terapia com o Dr. Cliff também são muito divertidas.
 Quick insere em sua narrativa exemplos de autores de grandes clássicos da literatura americana, que sempre terminam suas obras com finais trágicos. Pat fica indignado ao ler os finais deprimentes, e acredita que tais livros tenham uma influência negativa na vida dos leitores, incentivando o pessimismo. O autor ainda revela grandes spoilers de obras como O grande Gatsby e A redoma de vidro.

Foi impossível não me emocionar com a revelação sobre o que levou Pat a perder a memória. Sua perspectiva sempre positiva a respeito da vida, ou a filosofia de que que todas as pessoas merecem viver um final feliz, são encorajadores. Mais do que uma leitura divertida, O lado bom da vida se tornou meu livro de cabeceira. Se antes eu sempre vivia reclamando quando passava por uma situação adversa e me considerava uma pessimista irrevogável, após virar a última página passei a realizar o exercício mental de sempre pensar positivo.
O livro originou o filme homônimo, que conta com grande elenco (Bradley Cooper, Jennifer Lawrence, Julia Stiles, Robert De Niro, entre outros) e foi um dos principais vencedores do prêmio Critics Choices. Ainda não assisti ao filme, mas pelo trailler vi que modificaram a ordem de algumas revelações, por isso recomendo que o livro seja lido antes.


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