Autora: Elizabeth Haynes
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 333
Classificação: 3,5/5
Minha Opinião:
"Eu o vejo em todos os lugares, o tempo todo. Sei que ele não pode ser os homens que vejo, pois ele se encontra a milhares de quilômetros de distância, e bem trancado dentro da prisão. Mas ainda assim ele me assombra, uma apraição frequente, lembrando-me de que nunca vou me livrar dele. Como eu poderia, se ele ainda está dentro da minha cabeça?" (pág.63)
No escuro é o primeiro romance de Elizabeth Haynes, eleito pela Amazon UK o melhor livro de 2011.
Após perder os pais, Catherine mergulhou em um mundo de festas, bebedeiras e sexo com desconhecidos. Em uma de suas típicas saídas, ela conhece Lee - o segurança de uma boate -, que logo se encanta por sua beleza. O começo do namoro é cercado de promessas e amor, porém, com o passar do meses, Lee se revela completamente agressivo e inconstante. Agredida verbalmente e fisicamente, Catherine só pensa em se livrar dos abusos sofridos pelo namorado, mas a tarefa não é tão fácil, já que Lee segue todos os seus passos.
Depois de tentar matar a namorada, e a manter em cárcere privado, Lee é preso. Catherine não guarda somente as marcas físicas do abuso sofrido, como também um grande trauma emocional, que desencadeia um transtorno obessivo compulsivo, tornando tarefas simples, como fechar a porta do apartamento, em penosas verificações que passam uma falsa sensação de segurança.
Narrado em primeira pessoa, por Catherine, o livro intercala a narração entre presente e passado, dando ao leitor a oportunidade de adentrar no mundo da protagonista em dois momentos distintos. A Cathy do início é vivaz, e gasta seu tempo livre indo de pub em pub com as amigas do trabalho para se divertir. Diversão é uma palavra que não existe em seu dicionário, após o abuso sofrido por Lee. Ela se torna apática, e realiza todas as tarefas mecanicamente, como tomar chá no mesmo horário todos os dias, e fazer compras somente em dias pares.
Lee é um incógnita nos primeiros capítulos. Juro que cheguei a pensar: Mas o que esse homem fez de tão grave, para deixar a namorada tão traumatizada? Até então, no início, eu só conseguia enxergar o lado doce, e romântico dele. E foi ai que a narrativa de Elizabeth me fisgou. Ao mesclar presente e passado, o leitor não se dá conta de quem Lee é, até que Catherine nos revele.
Outrra abordagem que Haynes acertou, foi a narração do julgamento de Lee, aproximando-nos dos personagens, e tornando a história ainda mais convincente.
Existe toda a tensão de saber o que Lee fez, e como Cathy se tornou uma mulher cheia de medos e seriamente afetada pelo TOC. Foi justamente esse toque de tensão, que tornou a história tão interessante. Catherine é uma protagonista agradável. Apesar de seus hábitos tidos como "estranhos", ela não discursa como uma pobre coitada que merece pena. Cathy é uma mulher forte, mesmo após tudo o que sofreu.
O único ponto negativo, foi a feliz coincidência do vizinho de Cathy ser justamente um psicólogo, que a ajuda no tratamento do TOC. Stuart é agradável, e aí está todo problema. Ele era bonzinho demais, perfeito demais, e consequentemente, inacreditável demais. Nem quando Cathy explodia de raiva com ele, ele era capaz de extravasar alguma reação tida como normal. Isso quebrou com o toque de realismo que a obra tinha até então.
O desfecho foi surpreendente como deveria ser - mesmo que tenha sido um tanto abrupto -, e ainda que o final tenha ficado em aberto, me agradou muito. Ler as últimas páginas, foi como receber um choque.
O livro poderia ter sido ainda melhor, se tivessemos a narração de Lee. Achei que sua personalidade não foi completamente moldada, e no final acabamos não sabendo o motivo que o levou a cometer tanta violência com a namorada. Sei que nada justificaria tal ato, porém, senti falta de saber o que se passava na mente dele.
Para quem gosta de um bom thriller psicológico, No escuro é uma boa pedida, pois revela de modo realista, o quão destrutivo pode ser um relacionamento onde uma das partes busca o controle sobre o companheiro, ainda mais quando envolve agressão.













