Autora: Susan Hill
Editora: Record
Número de páginas: 207
Classificação: 4/5
Minha opinião:
A mulher de preto foi publicado pela primeira vez em 1983. Já foi adaptado para teatro, radionovela, filme produzido para a televisão e atualmente chegou às grandes telas em uma produção estrelada por Daniel Radcliffe.
O jovem Arthur recebe uma importante missão no escritório de advocacia onde trabalha: Ele deverá viajar para Crythin Gifford e comparecer ao enterro de uma das mais importantes clientes da empresa - a Sra. Drablow, que residia na Casa do Brejo da Enguia. Ao chegar à cidade, o entusiasmo com a viagem logo se transforma em curiosidade a respeito da casa que todos preferem se manter afastados.
Perturbado com a visão de uma estranha mulher - vestida toda de preto - no dia do enterro, Arthur decide não dar ouvidos as superstições a respeito da casa, e segue para lá, a fim de separar e catalogar os documentos que forem importantes para o escritório. Arthur, porém, não pensava que, ao chegar à casa envolta por muita névoa e cercada por um estranho pântano, estaria vivenciando acontecimentos inexplicáveis. Sons perturbadores e visões sem explicações transformam a vida do jovem advogado para sempre.
"Estava derrotado por meus próprios medos, incapaz de raciocinar com clareza ou tomar decisões, quanto mais me mover. Mas gradualmente descobri por mim mesmo a verdade máxima que diz que um homem não consegue permanecer indefinidamente em um estado de terror efetivo." (pág.161)
Quem espera uma história de terror, com certeza, irá se decepcionar. Encaixaria A mulher de preto no gênero suspense, com uma ressalva: leitura que provoca calafrios. Não sei se foi porque eu não tinha lido nenhuma resenha antes, ou se foi porque não criei muita expectativa para a leitura, mas o enredo me surpreendeu de forma positiva.
A obra é narrada em primeira pessoa e assim temos a exata dimensão do terror e espanto vividos por Arthur. Já idoso, ele começa a narrar os eventos que mudaram sua vida, como tentativa de exorcizar os fantasmas que o atormentaram durante décadas.
Apesar de ser um livro rápido e com poucas páginas, a impressão que eu tive foi de ter lido mais de 300 páginas. Isso se deve a narrativa densa, por vezes angustiante, que transmite o tom certo de desespero e medo através da voz do protagonista.
Hill consegue sustentar o mistério da mulher de preto até o final, assim como alcançar o clímax no final de cada capítulo. O desfecho surpreende pela carga emocional que a autora transmite ao texto, e me levou às lágrimas em poucos segundos.
Com poucos personagens e uma trama que a princípio parece simplória, Susan criou uma história de suspense, que levará até o mais cético leitor a experimentar o horror vivido por Arthur.












