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[Resenha] Nas Sombras - Jeri Smith - Ready

Livro: Nas Sombras
Autora: Jeri Smith - Ready
Editora: Galera Record
Número de páginas: 335
Classificação: 5/5

Minha opinião:

Imagine viver em uma sociedade onde ser assombrado por fantasmas é absolutamente comum? Imagine poder continuar se comunicando com seus entes queridos que partiram? Essa possibilidade existe para Aura e todos aqueles que nasceram após a Passagem. Há 16 anos, todos que nasceram após esse fenômeno, conseguem ver e se comunicarem com fantasmas, que possuem a cor roxa e podem frequentar os lugares onde esteve em vida.

Aura trabalha como tradutora no tribunal, auxiliando os fantasmas que movem algum processo por conta de suas mortes. Ela namora Logan, o líder e vocalista da banda Keeley Brothers. No dia do aniversário de Logan, a banda realiza um megashow, onde duas gravadoras irão avaliar o desempenho da banda. Após o show eles comemoram os 18 anos de Logan em uma superfesta. Tudo estava perfeito, até Logan morrer de uma forma estúpida.
Mas a morte não parece ser um impedimento para Aura, que continua namorando com Logan, mesmo sem poder tocá-lo ou beijá-lo. Porém, um estudante escocês - Zachary - surge em seu caminho, e sua presença abalará a estrutura deste amor além da morte.
" Tudo em você está horrível hoje: os olhos inchados, a pele manchada e seu cabelo todo (...) E juntando tudo você deveria estar um tribufu, mas, de alguma maneira, está mais formosa do que nunca." (pág. 87)
Este é o segundo livro sobre fantasmas que eu leio, mas a primeira distopia com eles, o que foi totalmente inovador. Confesso que a capa não me atraiu, mas a história prova que não devemos julgar o livro pela capa.
Nas Sombras me ganhou, por abordar o universo musical e passar longe dos assuntos batidos que encontramos em muitos livros sobrenaturais.

A narração é em primeira pessoa por Aura, uma adolescente que daria tudo para não possuir a "habilidade" de ver os mortos. Após a morte do seu namorado, no entanto, este é o único meio de continuar o namoro com Logan. Para isso, ela deixa de usar a cor vermelha - que afasta os fantasmas - e evita frequentar lugares que possuem a "Caixa Preta", que impedem a aproximação deles.
O que eu mais gostei no enredo, foi o fato do "dom" de se comunicar com fantasmas, não ser exclusividade da protagonista. Isso tornou a história mais plausível e dessa forma, a autora conseguiu explorar a história de forma mais abrangente.

Aura é uma protagonista convincente, e me surpreendeu por fugir do esteriótipo: mocinha frágil. Ela sofre muito com a morte do namorado, mas logo descobre que a morte não é o fim do amor de ambos. Foi angustiante acompanhar suas reações após a morte de Logan. O jeito como Logan morre, serve como alerta para muitos jovens que cometem a estupidez de ignorarem os avisos dos pais e das inúmeras campanhas que alertam sobre o perigo do uso de substâncias ilícitas.

 Em muitos momentos meus olhos se enchiam de lágrimas, pensando em como lidaria com o turbilhão de emoções, de estar em um relacionamento onde não existe qualquer possibilidade de toque.
Este foi o único livro que me deixou com a opinião dividida sobre o triângulo amoroso. Zachy é absurdamente diferente de Logan, e justamente as diferença, me impedem de escolher um lado. Enquanto Logan se mostra bastante possessivo como fantasma, Zachary é bastante compreensivo e parece disposto a esperar o tempo que for preciso para Aura se decidir. 

A narrativa de Jeri é envolvente e viciante. Ela consegue apresentar a sociedade, sem deixar a história lenta ou desinteressante. O final foi torturante, e me deixou super ansiosa pela continuação.
Conclusão: A junção de música + distopia + fantasmas = um livro imperdível para quem curte histórias sobrenaturais de tirar o fôlego.
" - I Will Possess Your Heart".
- O que você acabou de dizer?
- Minha música favorita. "I Will Possess Your Heart".
- Do Death Cab for Cutie? 
Ele bufou:
- Não, o remix hip-hop pouco conhecido do T.I.. Sim, do Death Cab for Cutie.
Sorri por causa da forma fofa como ele falou "cutie".
-Sério?
-Por quê? O que há de errado com isso?
-Nada, mas não parece combinar com você. É uma música meio triste.
- Não, é pura confiança. Não é "eu quero" ou "eu preciso", nada dessa palhaçada. - Ele colocou sua mão sobre a minha. - É "eu vou".
- Você vai, é?
- Eu vou."
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