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[Resenha] A Outra Vida - Susanne Winnacker

Livro: A Outra Vida
Autora: Susanne Winnacker
Editora: Novo Conceito
Número de páginas: 268
Classificação: 5/5

Minha Opinião:
"Há dois dias a comida acabou. Quanto tempo mais se passaria até que ficássemos tão fracos que nem pudéssemos nos mover? Ou até que começássemos a comer uns aos outros? Quase ri com esse pensamento. Talvez estivesse enlouquecendo" (pág. 23)
 Falou em zumbis e distopia, eu já fico toda eufórica, e largo tudo para ler. Foi exatamente isso que aconteceu quando chegou o livro A Outra Vida aqui em casa. A expectativa era alta, devido a minha paixão pelo gênero e por zumbis, e fiquei feliz ao constatar ainda nas primeiras páginas que o livro superaria toda a euforia.

Um mundo à beira de um colapso, e um cenário pós-apocalíptico iniciam a trama que é narrada em primeira pessoa, por Sherry, uma adolescente de 15 anos que vive enclausurada em um bunker há 3 anos com a família, após o aparecimento da epidemia que assolou a cidade de Los Angeles.
A briga pela falta de comida leva a uma discussão entre seus pais, e o pai decide que está na hora de sair do abrigo para procurar comida. Sherry insiste em acompanhá-lo, e após vê-lo sendo capturado pelos "chorões", Sherry precisará reunir todas suas forças e coragem para encontrá-lo novamente, e ainda salvar sua família.

Gente, que livro mais delicioso de se ler. Devorei em questão de horas, e no final fiquei implorando pelo segundo volume. Eu sei que muitos leitores ao se depararem com a sinopse, já reviraram os olhinhos, pensando: Zumbis? epidemia? personagens tentando sobreviver em meio ao caos? Puff, clichê demais. Ok, em partes pode até ter um montão de livros com a mesma temática, mas A Outra Vida tem um diferencial.
Os zumbis aqui são conhecidos como "chorões", pois após serem contaminados ganham um aspecto bem animalesco, e um rosto deformado com expressão de choro. Não é só isso. Susanne cria sua própria definição de zumbis. Eles são peludos, e alguns andam de quatro como se fossem animais. Zumbis peludos *_* muito amor (aloka).
Não temos aquela enrolação toda para saber como tudo teve início. Logo no começo sabemos como aconteceu a contaminação, e os culpados pela epidemia. A narrativa vai direto ao ponto, e não cansa com observações desnecessárias, o que torna o passar das páginas mais frenético a medida que a ação se desenrola. E não faltam cenas ágeis e capazes de tirar o fôlego do leitor.
"Um milhão, seiscentos e quarenta mil, cento e sessenta minutos desde a última vez que corri, desde a última vez que meus cabelos balançaram ao vento, desde a última vez que vi alguém que não fosse da minha própria família." (pág.9)
As cenas de ação são muito bem descritas. Sherry é uma adolescente destemida, que nos poupa de qualquer melodrama. Em sua busca por comida se depara com Joshua, que irá ajudá-la na procura pelo pai. O envolvimento entre eles é sutil, na medida certa.
O que eu achei mais interessante, são os flashes de como era a vida de Sherry antes da epidemia, narrados no início de cada capítulo. Isso contrastou drasticamente com o momento atual em que ela se encontrava.
A diagramação da Novo Conceito deu um charme a mais para a obra. No início de cada "flash", temos uma borboleta preta, que combina melhor com a capa original. Mas não tenho nenhuma crítica a capa brasileira (apesar de gostar mais da original). Combinou perfeitamente com a história. Felizmente a revisão está impecável.

O desfecho te deixa com aquela sensação de que você precisa do outro livro para sobreviver. E um chorão verde me contou que o lançamento do segundo livro, The Life Beyond, está previsto para janeiro de 2014. Yeah \o
Se você é fã do gênero, A Outra Vida não pode faltar na sua estante.

Capa americana, e capa do segundo volume.

[Resenha] Dearly, Departed - Lia Habel

Livro: Dearly, Departed - Livro #1
Autora: Lia Habel
Editora: ID
Número de páginas: 477
Classificação: 5/5 (favorito)

Minha Opinião:

Após perder o pai, Nora Dearly - de 17 anos - passa a morar com sua tia interesseira, eu um complexo subterrâneo residencial. Ela estuda em uma escola de renome, ao lado da melhor amiga Pamela. Sua vida é uma sucessão de dias iguais, isso até o dia em que uma invasão acontece em sua cidade.
É quando seu caminho se cruza com o de Bram Griswold, um adolescente disposto a tudo para sequestrá-la.

Nora e Bram são completamente diferentes, e não é só pelo fato dela ser uma neovitoriana, e ele um soldado punk. Bram está morto. Ele é um zumbi, afetado pelo vírus capaz de matar, e trazer novamente à vida. Mas nem todos os zumbis são iguais. Existem os cinzas, que apodrecem rapidamente, e não hesitam em devorar alguns humanos.
O dever de Bram é proteger Nora, e buscar ao lado de seu exército uma vacina para a doença.
"- Corri os olhos pela mesa. Aqueles seres estavam mortos. Mortos. Deviam estar deitados dentro de caixões segurando florzinhas secas, com vermes saindo de dentro do corpo. Mas estavam ali, bem na minha frente, discutindo monstros da literatura e interceptação de transmissões militares. O estranho era que eu começava a considerá-los...Talvez...Só um pouquinho...normais. Ou não." (pág.196)
Não posso ler uma sinopse que contenha a palavra zumbi, que logo fico eufórica para conhecer a história e o livro. Com Dearly, Departed não foi diferente, embora eu tenha que confessar que a capa à la E o vento levou, teve sua parcela de culpa para esse euforismo.
Dearly foi o primeiro steampunk que li, e confesso que imaginava uma coisa totalmente diferente. Se tem uma combinação que eu nunca havia pensado, mas que agora não consigo viver sem imaginar, é: zumbis + era vitoriana + romance + steampunk + distopia.
Lia conseguiu ousar e ir além, criando uma história engenhosa e agradável, não se perdendo em descrições vagas e cansativas.
O livro é narrado em primeira pessoa, por cinco narradores diferentes (Nora, Bram, Pamella, Wolfe e um personagem que eu não posso citar). Gosto de ter vários personagens narrando, pois assim o autor consegue abranger todo cenário de forma mais completa, sem deixar escapar nenhum detalhe, e de fato, Lia Habel sabe como tirar proveito de todos os detalhes.
Além disso, a forma como Habel passava de um cenário para o outro, sem deixar a história quebrada, foi magistral.

Se você não tem estômago para se identificar com os comedores de cérebro, pode ficar tranquilo. Aqui os zumbis não são tão selvagens. Existem dois tipos de zumbis, os que perdem totalmente seus sentidos e razão, e saem por aí comendo humanos; e os zumbis que possuem capacidades cognitivas em perfeitas condições, embora não se possa dizer o mesmo de algumas partes de seu corpo. E sim, um zumbi que se apaixona, mas nada meloso e forçado.
" Você é a garota certa! Você é a garota certa, por dez mil razões! Nunca senti nada assim antes... Mas...Eu não sou o cara para você. Sei que nunca poderei ser...nunca poderei ser o que você precisa. (...) Mas...tenho vivido os melhores momentos da minha vida, fingindo que podia ser seu. Obrigado por me permitir isso.
Nora é corajosa, divertida e determinada, e mesmo sendo uma vitoriana, não tem os mesmos costumes das outras meninas. Ela sabe usar uma arma, e não fica apenas gritando e esperando alguém vir salvá-la do perigo. Nora parte pra ação.
Bram é o zumbi mais atencioso e cavalheiro que já encontrei na literatura. Ele coloca muitos personagens humanos no chinelinho. Eu diria que ele é uma versão mais nova, e sem pulsação do Mr. Darcy, de Austen.
Estou começando a me acostumar com romances bem desenvolvidos, já que nada em Dearly acontece instantaneamente. Também pudera, são quase 500 páginas, e a autora soube aproveitar o tempo para desenvolver os personagens e o enredo.

Gosto do conceito vitoriano, onde os moradores voltaram aos costumes de antigamente, em que as mulheres usavam vestidos longos e espartilhos, e uma moça precisava "debutar" para ser apresentada a sociedade, a fim de arranjarem um bom casamento. Porém, foi difícil aceitar uma justificativa a este retrocesso. Culpa disso pode ser pela mistura de tecnologia, com objetos arcaicos. Encontramos carruagens elétricas, digidiário (uma espécie de tablet), ao mesmo tempo em que vemos um lampião a gás.  Os "punks" rejeitavam a nova aristocracia, e foi assim que surgiu a guerra, ao mesmo tempo em que o vírus que transformava os mortos em zumbis surgiu.

Como primeiro livro da série, Dearly conseguiu me agradar além das minhas expectativas. Repleto de ação, com personagens cativantes e uma distopia bem montada, DD conquistou um lugar entre os meus favoritos. Mal posso esperar para ler a sequência Dearly, Beloved, que já foi lançada nos EUA, sem previsão de lançamento no Brasil.
A única reclamação que tenho a fazer é quanto a revisão, ou melhor, a falta dela. É possível encontrar erros grotescos como acontecer escrito com cedilha, e até nomes de personagens escritos de maneira errada.
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