[Resenha] Loney - Andrew Michael Hurley

Livro: Loney
Autor: Andrew Michael Hurley
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 304
Classificação: 4/5

Minha Opinião:

Loney é o tipo de livro que, quando chega nas mãos de um leitor, ele clama para ser lido.
Assim que o exemplar chegou de uma ação, iniciei minha leitura sem saber muito sobre a obra. Foi bem melhor assim, já que não nutri nenhuma expectativa, e fui surpreendida.

"Era impossível conhecer de verdade o Loney. O lugar mudava a cada afluxo e recuo das águas, e as marés revelavam os esqueletos daqueles que pensaram que poderiam escapar das suas traiçoeiras correntes. Ninguém jamais chegava perto da água. Isto é, ninguém exceto nós”.
Loney é um trecho que fica localizado na sombria costa norte da Inglaterra, e é o destino da peregrinação de Páscoa da família Smith, juntamente com o Padre Bernard e outros fiéis.
O grupo se instala no Moorings, uma casa que esconde vários segredos, e tem uma vizinhança completamente hostil.

A narração é feita em primeira pessoa, por Smith, que faz uma revisita em seu passado, para nos contar os acontecimentos de Loney.
Seu olhar voltado para a infância vivida em Loney, é quase pueril. Ele relembra ainda o período que viveu como coroinha do Padre Wilfred, que morreu, e foi substituído pelo Padre Bernard.
Não pense que Loney é um livro típico de terror. De típico ele não tem nada. A atmosfera de suspense gótico prevalece da primeira até a última página. Ainda que os acontecimentos sejam revelados em doses homeopáticas, não senti em momento nenhum que a trama soava arrastada. Muito pelo contrário. As incertezas que são plantadas na mente do leitor ao longo da trama, me deixaram ávida para desvendar os mistérios da sombria Loney.
"No Loney as coisas viviam como deveriam viver. O vento, a chuva, o mar existiam em seu estado bruto, sempre recém-nascidos e ferozes. A natureza se revigorava Seus processos de morte e reabastecimento aconteciam sem que ninguém percebesse, exceto Hanny e eu."
Andrew esmiúça a vida de seus personagens com uma maestria surpreendente para uma obra de estreia.
Temos poucos personagens, e o autor soube como inserir todos na trama, sem que nenhum sobressaísse ao outro.
Me encantei com a relação entre Smith e seu irmão Hanny. Por várias vezes a mãe deles se eximia de cuidar do filho que era surdo, e delegava a Smith a tarefa de cuidar do irmão.
Esther, a mãe dos dois, foi a minha pedra no sapato durante a leitura. Ela era mandona com todos, inclusive com o Padre, e era devotada ao extremo. Porém, sua falta de zelo como mãe foi o que mais mexeu comigo durante a leitura. Ela queria ver seu filho curado, mas não sabia como lidar com a doença dele, e nem procurava entendê-lo. Era o irmão que interpretava os sinais que Hanny transmitia.
“Suas paredes jamais haviam contido uma família. Ninguém nunca havia dado risada lá. A casa era dominada por uma espécie de asfixia, um silencio pesado, que imediatamente lhe dava um ar desconfortável. Nunca mais senti isso em nenhum outro lugar, mas sem dúvida lá havia algo que detectei com uma percepção diferente. Não um fantasma ou algo ridículo do tipo, mas, ainda assim, alguma coisa”.
Os acontecimentos ganham ares sombrios quando Smith e Hanny acabam encontrando um outro casal com uma filha grávida. O mais assustador é que a menina aparenta ter menos de 13 anos.
O Padre Bernard também recebe um aviso para ficar longe de certos moradores da região, e é aí que o suspense psicológico ganha força.
O suspense é inquietante, e ainda que tudo não seja revelado da maneira como eu gostaria, gostei da ousadia do autor em criar uma história que vai ganhando força aos poucos, e no final acaba deixando a interpretação a cargo do leitor.
Andrew deixa o leitor tirar suas próprias conclusões, e finaliza deixando mais dúvidas do que respostas. Gosto de livros que são desafiadores dessa maneira.

A obra também trata de temas como a fé, crença, e como cada personagem analisa suas atitudes pecaminosas. No quesito religião e fé, temos uma ambiguidade que poderá incomodar aos leitores mais conservadores.
Loney é o tipo de história perfeita para uma tarde chuvosa. Se você gosta de livros que deixam perguntas inquietantes no ar, Loney é perfeito para você.

8 comentários:

  1. Oi Jacque
    Pelos teus comentários o livro tem todas as características que eu gosto em livros deste gênero, e esse mistério principal, inquietante. Estou bem curiosa para lê-lo. Esses finais nos fazem pensar, adoro.

    Beijinhos
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  2. Oi, Jacque! Eu tinha ficado interessada no livro assim que vi nos lançamentos. Tenho lido algumas resenhas a respeito, todas muito positivas. Pela sua descrição, é o tipo de suspense que me agrada. Também gosto de livros com finais mais abertos, mas só quando foram fornecidos elementos ao longo da obra pra que o leitor tenha material para formar sua opinião. Espero que seja mais ou menos assim.

    Beijos, Entre Aspas

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  3. Oi Jacque, eu achava que o livro era de terror, daqueles assustadores, e fiquei feliz ao perceber que não era. Não que não tivesse seu lado sombrio, claro que tem, mas não é de arrancar berros, nem nada assim. Além disso, o final me surpreendeu bastante, apesar de tudo.

    Beijos

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  4. Oi Jacque,

    estou louca para ler esse livro! Suspenses são leituras incríveis e esse não parece ser diferente! E mesmo a história não tendo se desenrolado totalmente como você queria, sua resenha conseguiu me deixar ainda mais curiosa por Loney!

    Beijos!
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  5. Oi, Jacque!

    Sempre folheio este livro quando o vejo na livraria, rs. Achei a capa tão sombria e instigante. Agora que sei mais sobre a história, estou muito curiosa para lê-lo! Às vezes não curto essa ideia de deixar n perguntas sem resposta, mas parece que este livro é tão bom que isso não importa.
    Adorei a resenha!

    Beijocas.
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  6. Oi Jacque! Parabéns pela resenha, fiquei muito curiosa!

    Não tenho muita experiência com livros desse gênero, mas sua resenha me deixou instigada a ler! Sem dúvida, a capa é linda!
    Vou providenciar o livro e ler logo!! hahaha

    Até mais,

    Prólogo da Leitura

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  7. Estou vendo muitas pessoas elogiando, apesar disso não é meu gênero de livro favorito. Parabéns pela resenha, bjos!

    BLOG LITERÁRIO 2

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  8. Olá!!
    Mesmo não sendo o meu gênero preferido, eu adoraria me aventurar nessa história. Parece ser bem intrigante e original, coisa que eu gosto bastante. Não o conhecia, e adorei ler uma resenha sobre!
    Beijos!

    http://our-constellations.blogspot.com.br/

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