Autor: Alessandro D'Avenia
Editora: Bertrand
Número de páginas: 376
Classificação: 4/5
Minha Opinião:
"Todos querem a graça, mas nem todos podem acolhê-la no mesmo instante e do mesmo modo. Todos desejam ouvir alguém dizer "amo você", mas nem todos têm a coragem de aceitar que seja um outro a dizer "quero que você exista" " (pág.86)
D'Avenia é doutor em Letras Clássicas, professor e roteirista. Seu primeiro romance entitulado: Branca como o leite, vermelha como o sangue, foi aclamado pela crítica e teve seus direitos vendidos para o cinema.
Coisas que ninguém sabe, seu segundo livro, chegou em minhas mãos em um momento oportuno. Estava precisando de uma leitura profunda, que pudesse transmitir uma mensagem que ficaria gravada um bom tempo na minha mente, me fazendo refletir, e foi examente este o efeito que a obra teve sobre mim.
A jovem Margherita, de 14 anos, está para começar seu primeiro ano do Liceu (que corresponde ao nosso Ensino Médio). O que seria uma experiência totalmente nova e empolgante, se torna uma complicada tarefa após receber uma mensagem do pai que resolveu ir embora sem dar nenhuma explicação. A menina que antes era alegre e cheia de esperança, se entrega a uma dor pungente que a levará em uma jornada rumo à maturidade. Em seu caminho, ela irá se deparar com uma amiga que está sempre disposta a levantar seu astral, um dedicado professor que irá lhe encorajar a ir em busca de seu pai, e um garoto solitário de olhos quase brancos, e cabelos negros, que não possui nada a perder.
Alessandro possui uma narrativa carregada de sensibilidade e singeleza, que revela o interior dos personagens de modo magistral.
O livro é narrado em terceira pessoa, e o autor acertou em escolher este tipo de narrativa, pois assim temos uma visão mais ampla da vida de todos os personagens. A história de Margherita é peça central, porém, acompanhamos o dilema do professor que se encontra temeroso de levar seu relacionamento adiante, e também a mudança visível na vida de Giulio, um rapaz solitário e frio que encontra nos olhos de Margherita uma tristeza que o leva a questionar sobre a sua própria tristeza e solidão. A vida dos três personagens se entrelaça de um modo irreversível, modificando suas certezas para sempre.
Eu classificaria a obra como erudita e poética. D'Avenia possui o dom de dar voz aos pensamentos mais obscuros de um adolescente, e também de destrinchar o que se passa na mente deles.
O que eu mais gostei foi a forma como ele usa a figura do professor para incentivar os alunos a se envolverem mais com a literatura e através dos livros encontrarem uma inspiração para sua vida. Através do livro Odisseia de Homero, ele começa seu discurso que impulsiona Margherita a sair em busca de seu pai, assim como Telêmaco o faz no livro. Aqui percebemos a influência que o professor tem sobre seus alunos. Quem dera que todos os professores possuíssem essa paixão, comprometimento e aspiração de realmente mudar nem que seja 1% da vida de seus alunos.
Com uma narrativa primorosa, personagens marcantes, citações pertinentes e um enredo grandioso, Alessandro nos presenteia com uma história sobre amadurecimento, e o poder das escolhas que fazemos.




