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[Resenha] Ghostgirl - Tonya Hurley

Livro: Ghostgirl
Autora: Tonya Hurley
Editora: Agir
Número de páginas: 321
Classificação: 5/5 (favorito)

Minha opinião:

Charlotte Usher se sente invisível. Na Escola Hawthorne, seus professores, colegas de turma e especialmente o garoto dos seus sonhos - Damen - mal parecem notar a sua existência. Disposta a conquistá-lo, ela decide mudar o cabelo, usar roupas novas e até se arrisca em fazer uma maquiagem. Ironia do destino, ou não, ela é escolhida para fazer dupla com ele, e ainda aceita lhe para dar aulas particulares de física, a fim de ajudá-lo a melhorar sua nota. Porém, antes de realizar seu grande sonho, ela morre de uma forma estúpida.

Mas a morte não é o seu fim. Após morrer, ela acorda em um universo paralelo, onde precisa continuar frequentando a escola com outros alunos "mortos". Juntos, eles  terão que descobrir a questão que deixaram mal resolvida para seguirem em frente. Charlotte acha que sua questão mal resolvida é ir ao baile com Damen, e ao descobrir que a única pessoa que pode vê-la é a Scarlet - irmã de Petula que namora com Damen - ela fará de tudo para ter outra chance de ser popular.
"Eu era só uma pessoa para o mundo, mas sonhava em ser o mundo para uma pessoa." -gg
Com uma história rápida e divertida, Tonya consegue dar "vida" aos mortos em seu romance de estreia. Em Ghostgirl temos a CDF "invisível", o garoto lindo e o timinho das líderes de torcida sem cérebro, comandado por Petula. O enredo pode parecer clichê, mas a condição da personagem principal é o que torna a história única.
Tudo o que Charlotte queria era ser aceita no grupinho das populares, mas sua terrível morte põe fim aos planos (ou não!). Já no mundo dos mortos, ela decide enfrentar seus colegas e fazer de tudo para alcançar a popularidade e o coração de Damen, mesmo que para isso seja preciso usar seus poderes sobrenaturais, que foram estritamente proibidos por seu professor, o Sr. Cérebro.

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O livro é maravilhoso, começando pela capa onde o caixão é vazado, até a diagramação toda em preto transmitindo o clima gótico da leitura (vide fotos). Apesar de tratar de um assunto sério como a morte, a autora em nenhum momento deixa o texto com um ar pesado e mórbido, pelo contrário, a história é tragicômica e recheada de humor negro.
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Os personagens são perfeitamente construídos, desde as patricinhas fúteis até os alunos mortos. Cada aluno morto possui um "nome de funeral", escolhido através da causa da morte. Os corpos conservam a aparência que o adolescente tinha quando morreu, rendendo assim, descrições hilárias como a menina de apelido "alô Kim", morta com um buraco na cabeça causado pela radiação do celular. A "líder" dos mortos é Prue, uma adolescente que ninguém sabe a causa da morte e parece odiar Charlotte. Apesar da obsessão em ficar com Damen, me identifiquei muito com a personagem e seus pensamentos super engraçados.

No mundo dos vivos a personagem que eu mais gostei foi Scarlet, uma gótica sarcástica que vive implicando com sua irmã Petula. Ela é a única que pode ver Charlotte e após aceitar ajudá-la em sua missão, as duas iniciam uma bela amizade. O final foi bastante satisfatório, e o livro virou meu favorito.

Mais do que uma história sombria em um ambiente soturno, Ghostgirl é uma crítica muito bem elaborada aos grupinhos das escolas americanas, onde para ser aceito é preciso ter uma aparência perfeita. Embora no Brasil não exista grupo de líderes de torcida, muitos adolescentes sofrem o mesmo drama de Charlotte, tentando se encaixar nos padrões estabelecidos para ser popular.
Para os fãs de Tim Burton e Edgar Allan Poe (como eu), está é uma obra imperdível.

Abaixo deixo o trailler super fofinho. Toda vez que eu assisto dá vontade de chorar e reler o livro:
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