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[Resenha] Serena - Ian McEwan

Livro: Serena
Autor: Ian McEwan
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 380
Classificação: 5/5 (favorito)
Comprar: Saraiva

Minha Opinião:

Serena é uma jovem que se formou em matemática (sem louvor algum), e que encontra prazer na literatura, dedicando horas a leitura de romances de seus autores preferidos, e se arriscando em conhecer novos.
Após escrever um artigo literário para a coluna da revista ?Quis?, ela conhece Tony Canning.

Apesar de ser bem mais velho, Serena se encanta por Tony, e se torna sua amante. É o próprio Tony quem a prepara para a entrevista que ela terá com o Serviço de Segurança britânico.
Quando Tony sai de cena - deixando milhares de questionamentos na mente de Serena - ela não vê outra saída além de concordar em trabalhar no MI5.
Promovida graças a recomendação de Max Greatorex, seu trabalho é recrutar o escritor iniciante Tom Haley para a Fundação, que nada mais é um projeto que funciona como uma fachada, e na realidade é financiado e controlado pelo MI5.
"Na minha opinião havia um contrato tácito com o leitor, que o escritor devia honrar. Nenhum elemento de um mundo imaginário e nenhum dos seus personagens deveria poder se dissolver por causa de um capricho do autor. O inventado tinha de ser tão sólido e consistente quanto o real. Era um contrato que se baseava numa confiança mútua." (pág. 234)
McEwan esteve este ano pela segunda vez no evento Flip, ao lado de Jennifer Egan, para o lançamento mundial de seu novo livro. No evento, o autor de "Reparação" e outros 11 romances, soltou um baita spoiler de Serena, que eu só fui saber após de ter concluído a minha leitura. Não que isso faria diminuir o meu interesse e apreço pela obra.
A primeira coisa que o leitor precisa ter em mente, é que Ian não é apenas um escritor. Ele é um manipulador de emoções, e isto fica claro para quem mergulha de cabeça nas primeiras páginas de seu romance.

Apesar de ser composto em sua maioria por narração, e possuir escassos diálogos, o texto nunca atinge um ritmo maçante, mesmo quando a protagonista discursa sobre a política dos anos 70. A Guerra Fria, e o tom presunçoso do Serviço de Segurança, que acredita ser o responsável pela prevenção contra o terrorismo do IRA na Inglaterra, são assuntos profundamente conhecidos pela nossa espiã.
A história atinge seu ápice quando Serena lê os contos de Tom, e imediatamente se apaixona por eles. Determinada a desvendar a brilhante mente do autor, ela flerta com a possibilidade de ser uma personagem de seus contos, e em determinados momentos sente ciúme de seus personagens masculinos.

Os contos de Haley, têm muito em comum com os contos que Ian escreveu no início de sua carreira. Não posso afirmar que Haley seja um alter ego de Ian, mas afirmo que me apaixonei sem medida por ambos. O que me chama mais atenção é a perfeição com a qual o autor descortina a mente feminina, e discorre pelos pensamentos mais íntimos da protagonista. Serena é uma personagem que possui grande pronfundidade psicológica, o que rende mais um ponto para a percepção excepcional de McEwan.

A narrativa extremamente viciante, detalhista e inebriante, converge para um final surpreendente. Durante metade do livro, o autor nos dá pistas do que virá pela frente (por isso o leitor deverá também se tornar um espião), e mesmo imaginando o que estaria por vir, as últimas páginas me pegaram totalmente desprevenida.
Serena não é só um romance sobre espionagem, ou sobre como todo leitor desejaria entrar na mente do autor. Nem tampouco sobre as inspirações que um escritor encontra para criar um romance de sucesso. Serena é simplesmente um dos livros mais geniais que já li.
Ouso afirmar que será impossível ler algo que produza tamanho impacto, quanto Serena me causou. Agora só me resta ler outros de seus romances, para cobrir o vazio que senti ao terminar de ler a última linha.
Só posso desejar que você tenha a mesma sorte e o privilégio que eu tive, de ter em mãos essa obra prima da literatura, e que apaixone-se do mesmo modo que eu.
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