Autora: Colleen Houck
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 494
Classificação: 3,5/5
Minha Opinião (livre de spoiler):
"- Você mudou - disse Ren ao irmão. - Não é mais o mesmo de seis meses atrás.A série A maldição do tigre é uma das minhas queridinhas, e fiquei um pouco desapontada com o rumo que Colleen deu ao romance e a história.
- Ainda sou capaz de esfolar essa sua pelagem branca, se é disso que você está falando.
- Não, não é isso. Você ainda é um lutador forte, mas agora está mais relaxado, mais seguro, mais...sereno. - Ele deu risada. - E está muito mais difícil irritar você.
Kishan respondeu baixinho:
- Ela me fez mudar. Estou me esforçando muito para me transformar no tipo de homem de que ela precisa, no tipo de homem que ela já acredita que eu seja."
Kelsey, que havia sofrido uma melhora considerável em seu complexo de inferioridade "não sou boa e bonita o bastante para o meu namorado deus-indiano-Ren" no livro anterior, retorna cheia de mimimis. Não que ela não seja uma boa heroína a maior parte do tempo. Sua coragem, e determinação em libertar os irmãos da maldição, fazem dela uma protagonista admirável, mas sua indecisão beirou o insuportável. Eu até entendo sua dúvida entre escolher Ren ou Kishan. Aprecio triângulos amorosos, mas sofro quando vejo que um lado está sendo usado, como se fosse um plano B, e foi assim que eu me senti lendo A Viagem do Tigre.
E não foi só Kelsey que mudou o comportamento de uma hora para outra. Colleen resolveu aloprar neste sentido. Ren assume um tom irritante e cheio de si após ter sido resgatado. Queria dar uma sapatada na cabeça dele, para ver se os miolos soltos voltavam para o lugar. Kishan foi o único personagem coerente na história, e com isso ele conquistou de vez o meu coração. Se nos livros anteriores eu pendia para o lado de Ren, Houck conseguiu me deixar bem indecisa com a mudança de atitude de Kishan. O quote que selecionei fala por si só. Kishan assumiu uma postura mais séria e adulta, o que contrastou drasticamente com as infantilidades de Ren. Preciso dar a mão à palmatória: Colleen sabe como deixar um coração dividido.
O que mais gosto na saga, é a forma como a autora aborda a mitologia indiana, com um texto riquíssimo em detalhes, e mesmo assim algo gostoso de ler. Algumas tradições e costumes indianos são citados, tornando a leitura não só em algo divertido, como informativo. Nessa terceira busca pelo colar da deusa Durga, conhecemos a cultura e tradição chinesa. A visita aos cinco dragões, que irão auxiliar e indicar o caminho até o colar, renderam passagens repletas de ação, e cenas de tirar o fôlego. Neste quesito Houck nunca peca. A saga é repleta de reviravoltas, ação e muito romance, embora o triângulo tenha sido desnecessário neste terceiro livro.
Outro ponto que me incomodou, foram os encantos irresistíveis de Kelsey. Se a própria se descreve como sendo uma menina de beleza mediana, e sem nenhum atrativo, não consigo entender porque todos os homens caem de amores aos seus pés. E quando digo todos, incluo até os dragões. Ok que ela é a única personagem feminina, além de Nilima, neta do Sr. Kadam, mas achei um exagero até o vilão da série querer lutar por ela.
Se relevarmos o comportamento dos personagens, e a disputa amorosa pelo coração de Kelsey, A viagem do tigre prova que é capaz uma série não cair na mesmice e enrolação.
Novamente fiquei com meu coração na mão ao ler o desfecho, e agora só me resta esperar pelo próximo livro da saga, entitulado como O destino do tigre, que será lançado ainda este ano pela Editora Arqueiro.
Preciso ressaltar o belo trabalho que a Editora realizou com a série aqui no Brasil. Além de lançar os livros em tempo recorde, não encontrei um erro sequer de digitação, o que revela o cuidado e seriedade da Arqueiro em revisar os livros sem pressa.
E que venha O Destino do Tigre \o/














